TurismoPesquisa divulgada nesta quarta-feira, 15, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que nem mesmo as recentes intervenções urbanas em Salvador estão segurando a queda do desempenho do volume de serviços no setor de turismo no estado. Somente em abril, o recuo da atividade foi de 11%, bem superior à média nacional, com retração de 3,6%, considerada normal para a baixa estação.

 


Dentre os estados brasileiros pesquisados, a Bahia, que costumava ser exceção nesta área, só registrou no mês desempenho melhor que Santa Catarina, que teve queda de 12,8%, e Paraná (-12,6%).

 

Pernambuco e Rio

 

A retração é sentida pela maior parte do país, com exceção apenas de Pernambuco, com crescimento no mês de 4,5%, e Rio de Janeiro, que registrou alta de apenas 0,5%, mesmo diante do fluxo gerado pelos preparativos da Olimpíada.

 

Na Bahia, entretanto, a queda da atividade tem chamado a atenção por ser bem superior que a média nacional. Em comparação com abril do ano passado, a queda foi de 3,9%, com a atividade no estado superando somente Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Paraná. A média nacional no Brasil foi de retração de 1,6%.

Cenário

 

Na avaliação dos quatro primeiros meses do ano  – o que inclui também janeiro, ainda na alta estação -, o estado registrou queda na atividade de 4%, também superior à retração média nacional: de 1%.

Para o presidente da seção baiana da Associação Brasileira da Indústria de Hoteleira (Abih), Glicério Lemos, “a falta do Centro de Convenções  de Salvador (em reforma) e de programas governamentais de promoção da cidade seriam as principais razões do baixo desempenho baiano, em comparação com o restante do país, que vem sentindo mais o reflexo da retração econômica. “A Bahiatursa está fazendo falta nesse momento difícil”, frisou Lemos, criticando a decisão do governo de fechar o órgão.

 

Segundo a Abih-BA, já são mais de 12 mil postos de trabalho fechados  no setor, por conta do

desaquecimento da atividade na Bahia. “Lamentavelmente, a situação é crítica e o governo precisa acordar para isso, apostando em divulgação, sobretudo enquanto o Centro de Convenções não fica pronto”, disse Lemos.

 

Cronograma

 

Pelo cronograma mais recente divulgado pela Secretaria de Turismo, o Centro de Convenções deve ficar pronto no primeiro semestre do ano que vem. Há projetos também para a construção de um novo equipamento, no bairro do Comércio, na área da Marinha, onde funciona atualmente a base dos fuzileiros navais.

 

Mais divulgação

 

O presidente da seção baiana da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav-BA), José Alves,  também cobra mais divulgação por parte do governo e prefeituras dos municípios. “A situação só vem se agravando, inclusive já tendo culminado com a redução em 30% dos voos para o estado”, informou nesta quarta ao saber dos números da pesquisa divulgados pelo IBGE.

 

“No caso de Salvador, temos tido obras, tanto do estado quanto da prefeitura, de melhoria em algumas áreas da cidade,  mas isso só não basta, sem a devida divulgação do destino”, explicou José  Alves.

Ele acredita que, com mais divulgação, o turismo de negócios na baixa estação pode ser reaquecido com a atração de eventos de pequeno e médio portes para os salões dos hotéis.